domingo, 13 de novembro de 2011

Tenho a nítida impressão

Ultimamente, através dos acontecimentos noticiados pelos meios de comunicação e até mesmo pelas pessoas de meu convívio, tenho sido levada a pensar que acabou um sentimento maravilhoso que antes existia entre as pessoas. Não que a violência só tenha surgido agora e do nada, mas tenho a impressão de que os relacionamentos de um modo geral só tem sua conotação social e não mais emocional, parece tudo muito superficial.
Em todo lugar tem alguém emitindo um sonoro bom dia iso 9000...bem ensaiado, material e nada humanizado.
Participo de cursos motivacionais que no fundo, em resumo, dizem a mesma coisa: "Volte a ser humano".
Sim porque humanidade é essencial nos relacionamentos, até comigo mesma. Preciso, é vital para minha sobrevivência que eu me conheça interiormente, que me ame e me aceite exatamente do jeito que sou e que tente amar meus semelhantes na mesma proporção. Isso significa crescimento emocional em todos os sentidos e me faz compreender que não sou dona da verdade e nem senhora absoluta do meu destino, sou pessoa, sou falível e estou a mercê de tudo como qualquer um dos meus semelhantes, exatamente igual.
Serão mais amenas as tempestades da vida, causarão menos estragos se eu for menos vento e granizo!
A sensação de um aperto de mão dado com displicência, de um abraço dado sem emoção, de um beijo na face que fica no ar é de arrepiar de medo.
Eu, quando aperto a mão de alguém coloco emoção nisso, não esmago, apenas seguro firme para demonstrar que estou ali da fato e não em outro lugar.
Quando abraço e beijo coloco afeto e para não correr o risco de ter que transmitir o que não sinto só abraço quem realmente quero abraçar...não posso agir por conveniências sociais, tenho que agir em prol dos meus valores emocionais, da minha verdade ou pelo menos do que acredito até aquele momento, não me permito violência na alma.
Não troco um abraço intenso por nada no mundo, é a sensação mais doce do universo: "Sentir-se querido, amado."
Quando me refiro ao Bom dia Iso 9000 não estou me colocando contra os controles de qualidade que permeiam suas diretrizes, pelo contrário, sou adepta de tudo que torna nosso meio mais organizado, mais limpo e mais ágil. Mas, me posiciono contrária a métodos que criem superficialidade nos relacionamentos mesmo que com "clientes". Isso porque, no meu modo particular de interpretação da vida, considero que vivemos um momento muito peculiar de nossos tempo: "O momento de uma acentuada carência afetiva."
Se olharmos ao redor com atenção veremos que ganha mais o vendedor que atende com um largo sorriso no rosto, que tem bom ânimo no trabalho, que é carismático, que interage de maneira carinhosa e verdadeira com o cliente do que o vendedor treinado só para vender que não demonstra emoção, que sorri forçosamente, que atende com pressa ou com desleixo e que normalemente ninguém quer por perto.
Acredito que nos treinamentos deveriam dizer para as pessoas simplesmente serem apenas pessoas.
Porque não será com técnicas que iremos trasformar uma pessoa mal educada em um ótimo vendedor. Educação é berço, é um valor que está no fórum íntimo das pessoas e não se aprende em livros.
O que se aprende em livros são técnicas, são formas de melhorar o que já temos, o que já adquirimos pela vida. São novos jeitos de fazer ou de deixar de fazer as coisas.
A hora da contratação é o momento exato de se avaliar se uma pessoa é para determinada área ou não, considerando todas as particularidades necessárias e não será na hora do treinamento que isso será melhor avaliado.
Tem gente tentando transformar pessoas que não sabem se relacionar nem consigo mesmo, nem com a família em gestores de equipes, de pessoas e querem que isso dê certo. Não dará certo nunca pelo simples fato de que somos no trabalho, na faculdade, no restaurante e em nossas casas exatamente a mesma pessoa. Podemos até deixar transparacer apenas determinadas faces do nosso caráter em determinados lugares como seres inteligentes que somos, mas com absoluta certeza, não conseguimos mudar de caráter pelo simples fato de que temos apenas um.
Espero melhorar sempre e busco realmente isso a cada instante pedindo a Deus que molde meu caráter colocando mais virtudes no lugar dos vícios  e fazendo a minha parte do processo que é usar de honestidade comigo mesma e me esforçar para mudar de rumo sempre que necessário.
A vida é uma estrada de muitas vias colocada à nossa frente, as escolhas de rumos são nossas, tenho a nítida impressão de que escolher é a parte mais difícil em muitos momentos mas também a mais proveitosa porque poder optar é tremendo, é dizer sim ou não para a nossa própria felicidade.
Isso porque a verdade é que,  bem lá no fundo de nós, sempre sabemos qual é o melhor caminho. O que muitas vezes falta na hora crucial da decisão é apenas coragem...

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